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Somos todos frágeis, Somos todos fortes

Somos todos frágeis, Somos todos fortes

Por Luísa Salgueiro, Presidente da Câmara Municipal de Matosinhos

Somos todos frágeis. Perante um vírus que nos ameaça, percebemos que somos apenas seres humanos. Não há diferenças, não há nacionalidades. Em Matosinhos ou em Milão, em Portugal ou em França, na Europa ou na América…a mesma ameaça à nossa espécie.
Somos todos fortes. As milhares de histórias de altruísmo e de cooperação crescem todos os dias e parece que finalmente acordamos para a necessidade de cooperarmos para o bem comum.
Na linha da frente desta batalha estão milhões de heróis anónimos aos quais nunca poderemos expressar devidamente a nossa gratidão.
Mas, como em todas as guerras, ficaremos perante eles, perante nós, com a responsabilidade coletiva de reconstruirmos um Mundo melhor, um futuro onde as palavras “esperança” e “determinação” andem de braço dado e nos conduzam por caminhos de sucesso.
Este é um tempo de união. Perante as dificuldades, devemos unir-nos na procura de soluções e temos que estar dispostos a, coletivamente, fazer um exercício de humanidade e de sacrifício. Depois da vitória teremos tempo para a necessária reflexão, mas devemos assumir desde já que não deverá ser construída em cima da recriminação e do medo. Devemos assumir que as lições que retiraremos da pandemia só nos serão úteis se nos servirem para rever os modelos, sociais, económicos e políticos que regem o Mundo.
Teremos de continuar a pensar que o valor da vida deve prevalecer relativamente ao valor da economia…que é preciso um recentrar das nossas prioridades. Perceber de uma vez por todas que a especulação financeira não é um sinal de desenvolvimento.
O Mundo será diferente depois desta pandemia, provavelmente precisaremos de uma nova economia, mais próxima da realidade da vida de cada um. Mais resistente localmente e mais capaz de cooperar internacionalmente no combate aos inimigos de sempre: a pobreza e as desigualdades sociais.
Aqui a agora: estamos juntos! Cada um de nós tem um papel importante. Cada um de nós deve responder ao que nos for pedido com humildade e com coragem. Estamos a sofrer muito. Há lágrimas e há sofrimento. Mas também há determinação! O esforço que nos pedem força-nos a estar mais atentos, mais vigilantes, a ter mais cuidados uns com os outros. Temos a oportunidade e a responsabilidade de vencermos pelo que somos, peças de um todo em cooperação.
O vírus pode infetar-nos. Somos todos iguais perante ele. Mas acredito que todos juntos somos mais fortes do que qualquer vírus. Com a serenidade de quem deseja muitos amanhãs. Com a certeza de que venceremos!

Artigo de Opinião publicado no Jornal de Notícias a 23 de março de 2020

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