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Valongo lança projeto inovador para reduzir o insucesso escolar no ensino básico

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Valongo lança projeto inovador para reduzir o insucesso escolar no ensino básico

Um novo projeto de combate ao insucesso e abandono escolar, denominado “MAIS VAL – Melhores Aprendizagens, Inovação e Sucesso em Valongo”, acaba de arrancar neste concelho, com o objetivo de reduzir em 26% as taxas de retenção no 1.º e 2.º ciclos.

A Câmara Municipal de Valongo, em parceira com os agrupamentos de escolas e associações de pais, apresentou recentemente, na Escola Básica Mirante dos Sonhos, em Ermesinde, um projeto inovador para diminuir a percentagem de alunos no concelho com insucesso escolar. A iniciativa, que conta com o apoio da Universidade do Minho, enquadra-se no Plano Integrado e Inovador de Combate ao Insucesso Escolar da Área Metropolitana do Porto (AMP), bem como no Eixo Prioritário 8 – Educação e Aprendizagem ao Longo da Vida do Norte 2020 – Programa Operacional Regional do Norte e no Projeto Educativo Municipal.

“O projeto MAIS VAL é direcionado para melhorar as aprendizagens e para combatermos o insucesso escolar. Foi desenvolvido em parceria com a Universidade do Minho, com as escolas, com as associações de pais. Trabalha também a questão da leitura, da partilha e de atuarmos naqueles fatores que podem determinar, ou não, o insucesso escolar dos nossos meninos”, avança José Manuel Ribeiro, presidente da autarquia, complementando:

“Estamos muito empenhados em que ninguém fique para trás e esta fase do 1.º ciclo é determinante neste esforço. Temos de conseguir que todos os meninos e meninas consigam progredir. É bom para eles, é bom para as famílias, é bom para a comunidade”.

A coordenação e implementação do projeto é da responsabilidade de Júlia Mendes, chefe da Unidade de Educação do Município de Valongo. “MAIS VAl porque pretende ser uma mais-valia ao serviço das escolas e professores, e também porque é um acrónimo para palavras que consideramos importantes. Significa melhores aprendizagens, inovação e sucesso em Valongo”, adianta a técnica da autarquia, acrescentando que este se irá desenvolver durante 36 meses, contando com um orçamento a rondar os 610 mil euros, e incidirá em quatro grandes áreas.

“Vamos atuar na promoção do combate precoce às dificuldades de aprendizagem da leitura logo no 2.º ano de escolaridade, porque percebemos que as competências da leitura são fundamentais para o percurso escolar das crianças e dos jovens no seu futuro em todas as matérias, não só na matemática e no português. Na transição entre o 1.º e o 2.º Ciclos, que é um momento marcante e às vezes onde começa o insucesso escolar de uma forma mais afincada, por todas as transformações que ocorrem quer a nível escolar, quer na vida física e psicossocial das crianças. No trabalho com as famílias, porque percebemos também que o contexto socioeconómico pode ser um fator preditor do insucesso importante e queremos ajudar a contrariar este fator muitas vezes determinante na vida das crianças. E na inovação, não como um fim em si próprio, mas como um meio para criar aprendizagem mais apelativas e mais motivadores em salas de aulas, com estratégias diferenciadas, porque os meninos de hoje não aprendem da mesma forma que aprendíamos nós”, explica Júlia Mendes.

A chefe da Unidade de Educação do Município anota que as taxas de retenção no concelho “não são muito diferentes ou mais problemáticas do que noutros territórios”, aproximando-se muito à da AMP, do Norte e de Portugal, sublinhando, no entanto, que:

“Mais do que as taxas, o que nos preocupa é o que elas traduzem: continua a haver crianças e jovens que não estão a aprender. E cada uma dessas crianças queremos ajudá-las a aprender e, como consequência, reduzir as taxas de insucesso.”

“Atualmente as crianças já têm outros fatores que não tínhamos no nosso tempo, nomeadamente, as novas tecnologias, com os tablets, telemóveis. E é muito importante apostar nessa diversificação para que os alunos se sintam mais motivados e que o exterior não seja um motivo de distração, mas sim um motivo de aproveitar essas novas oportunidades, trazê-las para dentro da escola para que os alunos possam aproveitá-las no bom sentido e não só para jogos e brincadeiras”, salienta José Miguel Marques, diretor do Agrupamento de Escolas de São Lourenço, de Ermesinde, complementando:

“Temos de fazer a ‘gamificação’ do ensino, trazer essas novas aplicações para o ensino. Novas tecnologias e novas pedagogias são essenciais e devemos chamar os alunos por esse lado”.

Por isso mesmo, o docente defende que esta iniciativa da autarquia tem uma relevância vital para o ensino. “É um projeto muito importante, no sentido que nos é permitido outros recursos que as escolas não têm, nomeadamente, alguns psicólogos, mediadores sociais, no sentido de trabalhar e promover o sucesso escolar naqueles alunos que infelizmente estão em situações de possível abandono e insucesso”, refere o professor, salientando as novas valências que funcionarão como um complemento à parte pedagógica já existente.