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Uma vida pela Liberdade

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Por Manuel Pizarro

Presidente da Federação Distrital do Porto do PS

 

Mário Soares distingue-se no percurso da democracia portuguesa pela longevidade, coragem, coerência e visão do seu combate político e da sua participação cívica.

Nos anos da ditadura, desde muito jovem, afirmou-se como um combatente infatigável pela causa da Liberdade. Esteve preso 11 vezes, foi deportado para S. Tomé e Príncipe e, mais tarde, forçado ao exílio. Não hesitou ou retrocedeu face a nenhum desse atos arbitrários. Ao contrário, arranjou sempre oportunidade de, a partir das dificuldades, construir novas pontes para reforçar a resistência contra um regime que oprimia os cidadãos e condenava o país ao atraso e à pobreza.

Foi em ditadura, e no exílio, que impulsionou a criação do Partido Socialista, afirmando a natureza plural da oposição política ao regime fascista.

Depois do 25 de abril teve um papel decisivo na construção de um regime democrático que assegura a todos o exercício da Liberdade e que é, ao mesmo tempo, um exemplo de tolerância. Mário Soares não deixou que as agruras do seu combate com os esbirros do anterior regime, lhe toldasse o profundo amor à Humanidade que constituía base do seu pensamento político.

Inspirou e liderou o esforço pela integração de Portugal no concerto das nações e, em especial, no projeto europeu, que viu sempre como um espaço de liberdade, de progresso e de solidariedade. Por isso, aceitou mais tarde ser deputado no Parlamento Europeu e, nos últimos anos da sua vida, criticou com a frontalidade de sempre os desvios nacionalistas e populistas que toldam o presente e o futuro da Europa.

Ao longo de toda a sua vida, Mário Soares manteve uma profunda e afetiva relação com o Porto. Acredito que essa relação resulta, em larga medida, do comum amor à Liberdade, sentimento que faz parte indissociável da identidade portuense.

São do Porto muitos dos seus companheiros de percurso, no PS e fora dele. António Macedo, Mário e Beatriz Cal Brandão, Artur Santos Silva (pai), Coelho dos Santos, Luís Roseira, Olívio França, Miguel Veiga, entre tantos, tantos outros.

É imperioso que, também no Porto, se preste homenagem a Mário Soares. Ao fazê-lo honramos o seu percurso e valorizamos a atualidade da sua mensagem política e do seu apelo à participação. O país e o Mundo precisam muito do exemplo inspirador dos seus ideais e da sua vida. Hoje, como sempre, a Liberdade é o bem mais precioso, que nunca podemos dar por definitivamente adquirido.

Vamos, por isso, celebra-la, amanhã, domingo, no Teatro Municipal Rivoli, prestando homenagem a Mário Soares. A partir do Porto!

 

Artigo publicado no jornal PÚBLICO, abril 2017