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Passos Coelho

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No início de dezembro, o PSD fazia chegar à Assembleia da República um Projeto de Resolução que recomendava ao Governo “um diálogo sério com os parceiros sociais no sentido de alcançar um acordo de concertação social” que incluísse “a atualização do Salário Mínimo Nacional”. Alguns dias depois, o Governo chega a acordo com os parceiros sociais: o salário mínimo subirá para para 557€ e as empresas beneficiarão da descida da TSU em 1,25%.

Chegados a Janeiro, a proposta é votada e discutida no Parlamento e, ironia das ironias, a bancada social democrata chumba o acordo que no mês anterior havia recomendado ao Governo. Neste contexto, várias foram as vozes socialistas que se levantaram para afirmar que o PSD não estava contra a TSU mas sim contra o aumento do salário mínimo, até porque, em 2014, o Governo de Passos publicou um Decreto-Lei para fazer descer a referida taxa, o que torna ainda mais incompreensível a posição agora tomada.

Certo é que, três dias após a votação da medida do Parlamento, Pedro Passos Coelho esclarece finalmente as suas intenções e defende a revisão da subida do salário mínimo porque, segundo ele, “este ritmo de crescimento do Salário Mínimo Nacional não é sustentável”.
Posto isto, não será de mais dizer que Passos Coelho e o PSD passaram rapidamente da fase da “pós-verdade” para a fase da pós-coerência.