Artigo

Os Mirós ficam no Porto. Ponto.

37 Visualizações

Por Manuel Pizarro

A coleção Miró foi entregue pelo Estado português à cidade do Porto, naturalmente representada pela sua Câmara Municipal. O portador da boa nova foi o primeiro ministro, António Costa, que confirmou assim a decisão anunciada pelo Ministro da Cultura, Luís Filipe Castro Mendes, preparada pelo anterior titular da pasta, João Soares.

Para a cidade e para o país, esta decisão constitui motivo de justificado júbilo. Trata-se de uma extraordinária representação da obra do pintor surrealista catalão, a mais relevante que existe fora do território espanhol. Um belíssimo e coerente conjunto de obras de arte, que acompanham seis décadas da criação genial de Juan Miró, entre os anos 20 e 80 do século passado.

Expostas agora na Casa de Serralves podem ser admiradas por todos. A organização da exposição, a cargo de outro génio, o arquiteto portuense Álvaro Siza, evidencia a importância do conjunto e a adequação do espaço.

Este é um tema em que muitos andaram bem. Desde logo o Governo de António Costa. Primeiro, por ter abandonado a ideia da coligação PSD/CDS de leiloar a coleção, acrescentando a todo o mal que o BPN fez aos portugueses a perda desta verdadeira preciosidade, que veio à posse pública pela nacionalização do famigerado banco. Depois, por ter percebido que, “se o Porto vai ganhar muito com a coleção, a coleção ganhará muito entregue à cidade do Porto”.

Destaque também para a atitude construtiva e responsável da Câmara Municipal do Porto e do seu presidente, Rui Moreira, na forma empenhada e recatada como conduziu o processo e a escolha do lugar que vai albergar, em definitivo, a exposição. Transformar a Casa de Serralves no Museu Miró é uma forma acertada de rentabilizar o património existente e de aproveitar as sinergias com uma Fundação que muito tem feito pela arte e pela cultura em Portugal.

Elogio também para a Fundação de Serralves e para a sua presidente, Ana Pinho, que, de forma dedicada e profissional, concretizaram a exposição e abraçaram com empenho a ideia de a acolher de forma perene.

Para trás fica o Governo PSD/CDS, que recusou entregar à cidade a coleção, bem como as vozes, escassas e pouco relevantes, que não se conformam com a localização dos Mirós na “província”.

O Porto mostrará que está à altura dos seus pergaminhos, da sua identidade cosmopolita e do espaço ímpar que ocupa na cultura portuguesa. Aqui, estas obras, exemplos do génio criador do ser humano, terão nova vida. Ao serviço dos portugueses e da Humanidade.

 

Artigo publicado no Jornal de Notícias, outubro 2016