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O IC35 não é “um sonho”, é uma realidade que merece honestidade e seriedade

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Por Cristina Vieira

Notícias e artigos vários, publicados em diferentes órgãos de comunicação social nas últimas semanas, têm trazido a debate o pertinente tema do IC35, designadamente no que respeita ao cancelamento da empreitada do troço que liga Penafiel a Castelo de Paiva.

De forma acusatória, o líder do PSD, Pedro Passos Coelho, bem como dirigentes e eleitos do partido, têm sustentado as suas críticas com a tese de que o Governo de António Costa está “a privilegiar as despesas correntes em prejuízo das despesas de investimento, como é o caso da construção do IC35”.

Considerando que a honestidade e seriedade são pedras angulares do exercício político, e que esta é uma obra determinante para as populações de Penafiel, Marco de Canaveses e Castelo de Paiva, vale a pena clarificar os factos:

01. Prometida desde o trágico acidente da queda da ponte de Entre-os-Rios, em 2001, a construção do IC35 é, desde então, reclamada pelos vários municípios envolvidos, já que vai permitir substituir a atual EN106, uma das vias do distrito do Porto e da região do Tâmega e Sousa com maior tráfego, na qual, ano após ano, se testemunham elevados níveis de sinistralidade.

02. Apesar das adversidades económico-financeiras dos últimos anos, o Governo de Passos Coelho, considerando que o país dispunha já de uma rede de estradas e autoestradas que extravasava aquilo que eram as necessidades do país, levou a cabo uma campanha contra o investimento público nesta matéria. De tal forma que a Comissão Europeia acabou mesmo por considerar, no Acordo de Parceria que negociou com Portugal, que não seriam contemplados apoios financeiros para o setor rodoviário.

03. Em agosto de 2015, em plena véspera de eleições legislativas, Pedro Passos Coelho “recua” na sua linha estratégica para as vias de comunicação e vai a Penafiel lançar, com pompa e circunstância, o concurso de um troço do IC35 até Rans, numa extensão de 1,5 km.

04. Esse “avanço” de Passos Coelho, reconheceriam os que há tantos anos esperam pelo IC35, não considerava, todavia, a obrigatória declaração de impacto ambiental para os acessos à EN106, o que, como se pode ver, revela a “seriedade” da medida.

05. Face à ausência desse requisito legal, e não estando asseguradas as condições para a ligação do IC35 à EN106, a IP – Infraestruturas de Portugal decidiu suspender a adjudicação daquele troço, estando, neste momento, a aguardar a aprovação ambiental para, logo que possível, reprogramar a construção do IC35 com a respetiva ligação.

Neste contexto, as recentes declarações, quer de Passos Coelho, aquando da sua visita à Agrival, em Penafiel, quer do deputado Luís Vale, em artigo de opinião publicado neste jornal, constituem uma verdadeira manobra político-partidária, fortemente reprovável, aliás, dentro daquela que deve ser a conduta do exercício político.

Ludibriar a opinião pública para fins meramente eleitoralistas constitui uma das formas mais repugnantes do exercício político, especialmente quando o que está em causa é uma obra tão importante, quer para as populações, quer para o desenvolvimento dos concelhos de Penafiel, Marco de Canaveses e Castelo de Paiva.

O PSD, campeão nas promessas eleitorais por cumprir, reclama hoje, pela voz de Passos Coelho e Luís Vales, o contrário do que fez enquanto Governo. Porque é preciso dizê-lo claramente: a responsabilidade dos consecutivos atrasos na concretização do sonho do IC35 tem um nome, Pedro Passos Coelho.

Ao contrário do que afirma Luís Vales, pela mão do Partido Socialista, o IC35 não é apenas “um sonho”. É uma realidade que defendemos e defenderemos, séria e honestamente. Esta é, aliás, a única forma de fazer política em que nos revemos.

Artigo publicado no jornal A Verdade, setembro 2016