Artigo

Manuel Pizarro: “Muitas pessoas e instituições sabem que a Câmara está mais próxima delas por causa do PS”

2238 Visualizações

Manuel Pizarro: “Muitas pessoas e instituições sabem que a Câmara está mais próxima delas por causa do PS”

Entrevista publicada no Jornal de Notícias de 27 de maio, 2017

Pela jornalista Carla Soares

 

Manuel Pizarro, candidato do PS à Câmara do Porto, diz que parte em desvantagem em relação a Rui Moreira mas que ganha em proximidade. Se vencer, adianta que irá convidar todos os eleitos para a governação da cidade, incluindo o atual presidente. O vereador, que entregou os pelouros da Habitação e Ação Social e faz um balanço positivo da participação socialista, concorda, perante as críticas de Correia Fernandes. que o trabalho realizado no Urbanismo deveria ter tido mais visibilidade.

 

Quem perde mais com a rutura, o PS ou Rui Moreira?

Perde a cidade do Porto porque manifestamente era um projeto que estávamos a construir em conjunto e que corria bem. Também por isso não compreendo inteiramente as razões que levaram a comissão política de Rui Moreira a forçar esta rutura. Com generosidade, estávamos disponíveis para apoiar a sua recandidatura mas sinto-me bem como candidato socialista à Câmara do Porto.

 

A culpa pela rutura é de Rui Moreira? Este autarca garante que é do Secretariado Nacional do PS.

Quem decidiu rejeitar o nosso apoio foi a comissão política de Rui Moreira. Verifiquei pelas suas declarações que foi produzindo que isto também não era o que ele desejava.

 

Mesmo após a reunião do núcleo duro, Rui Moreira disse que mantinha abertura para receber o apoio do PS mas que o número dois seria in- dependente. Esse foi o problema?

O PS nunca colocou a questão em termos de lugares. Nem compreendo o alcance desse debate. Lamento muito a morte de Sampaio Pimentel, foi o número dois da lista de Rui Moreira em 2013 e era militante do CDS. O lugar de número dois também não tem mais do que o aspeto simbólico, a não ser que o número um tencione abandonar o mandato a meio.

 

Manuel dos Santos disse que havia um acordo que passava por Rui Moreira ir para eurodeputado ou ministro e deixar-lhe a presidência? Devia ter sido desmentido pela direção nacional como reclamou Moreira?

Foi desmentido pelos dirigentes locais do PS e por Rui Moreira. Convém atribuir a cada protagonista o relevo que merece. Fez uma intriga miserável que teve a resposta necessária.

 

O presidente da Câmara disse querer continuar a contar consigo, pelo mérito e não enquanto socialista. Excluiu os seus camaradas do PS?

Essa questão também nunca se colocou. E as pessoas teriam de ser escolhidas em função do mérito, mas também não podiam ser excluídas por nenhuma filiação partidária.

 

As declarações da secretária-geral adjunta do PS, Ana Catarina Mendes, eram evitáveis, desde logo sobre uma representação forte do PS nas listas?

Preferia que essas declarações não tivessem sido produzidas, mas serviram de pretexto à comissão política de Moreira para forçar este desfecho.

 

Há um ano, disse que ninguém entenderia se concorresse contra Moreira? E agora como vão entender?

O PS participou na governação com honra, lealdade e competência. Se não desejam que participe nessa lista, o PS está como sempre disponível para ser julgado pelos cidadãos. Tenho sentido nas ruas que as pessoas perceberam o que aconteceu e a importância do PS no Executivo, que funcionou como uma verdadeira equipa. E querem que continue a ter uma função de liderança na cidade.

 

Admite um acordo pós-eleitoral com Rui Moreira e voltar a aceitar pelouros? O presidente reafirmou, após a rutura, essa disponibilidade.

A decisão da comissão política de Rui Moreira tem consequências para o futuro. Mas devo dizer-lhe, com humildade e determinação, que sou candidato a presidente. Coloco-me nas mãos dos portuenses que vão tomar uma decisão e confio que dela sairei presidente da Câmara.

 

E se não ganhar? Fará acordos?

Não quero fazer outros cenários. Espero poder contar, como presidente da Câmara, com a colaboração de todos os outros vereadores.

 

António Costa não fechou a porta, quando questionado na convenção autárquica sobre um acordo pós-eleitoral com Rui Moreira.

É uma decisão que será tomada pelos eleitores. Acredito que será uma vitória do PS. E afirmo, desde já, que convidarei todos os vereadores a exercerem funções na Câmara.

 

Incluindo Rui Moreira?

Evidentemente.

 

Admite aliar-se à CDU e ao BE?

Saindo vencedor procurarei envolver todos os vereadores na governação, independentemente do seu partido.

 

Dando-lhes pelouros?

A forma será tratada na altura.

 

Estas eleições são para si um desafio complicado? Rui Moreira admitiu que vai ser mais difícil sem o PS.

Não tenho dúvidas de que quem parte em vantagem é Rui Moreira, mas não receio disputar eleições. Seremos capazes de ter uma equipa de qualidade e um projeto que mereça ser vencedor. O facto deste processo ter sido iniciado tão tardiamente condiciona a nossa preparação.

 

Como vai fazer campanha? Vai demarcar-se de Rui Moreira ou reclamar a quota-parte do PS?

Temos muito orgulho no que fizemos. Houve 43 milhões de euros investidos na reabilitação dos bairros, foram atribuídas 1041 casas, foram criadas novas políticas de habitação, como o apoio ao pagamento da renda, e foi promovido um esforço inovador de regresso ao Centro Histórico. No Urbanismo, fizeram-se coisas como a revisão do PDM, as áreas de reabilitação urbana e o lançamento do concurso para o mercado do Bolhão. Enfim, há um vasto conjunto de assuntos a que estamos associados e que iremos valorizar.

 

Como ficou a sua relação com o presidente da Câmara?

Farei o que estiver ao meu alcance para preservar a amizade. Amigos amigos, política à parte.

 

E como vai ser até outubro, agora que o PS entregou os pelouros?

O PS está empenhado em contribuir para a boa governação. A prova é que estamos a fazer propostas concretas. Na próxima reunião de Câmara será votada a redução do IMI. A saúde financeira da Câmara permite baixar a carga fiscal.
Mas essa proposta é também o reconhecimento da boa gestão de contas de Rui Moreira.

Demos um enorme contributo para que a gestão financeira decorresse de forma saudável.

 

O caso Selminho foi bem gerido?

Não farei uma campanha de casos. Em relação à Selminho, devemos separar os domínios. Na questão dos direitos de construção, estamos confortáveis com a forma como estava a ser tratada.

Quanto à questão surgida na semana passada, sobre a propriedade originária do terreno, não tinha conhecimento. Também nessa matéria, confiamos que os serviços municipais vão tratar de tudo para proteger o interesse público.

 

Concorda com as críticas do socialista Correia Fernandes? Diz que o seu pelouro foi boicotado e silenciado pelo gabinete de comunicação e pela presidência.

Já teve ocasião em reunião de Câmara de precisar melhor algumas das suas frases. A verdade é que, na opinião pública, não foi suficientemente valorizada a imensidão do trabalho produzido na área do Urbanismo. Poderia ter tido uma maior visibilidade.

 

Qual a sua mais-valia em relação à candidatura independente?

Temos duas vantagens claras. Primeiro, a proximidade. Muitas pessoas e instituições sabem que a Câmara está mais próxima delas por causa do PS. E estou em melhores condições de congregar a cidade. Aparecemos com uma candidatura mais inclusiva do que qualquer outra. Não fechamos a porta a ninguém e somos capazes de estabelecer pontes e um diálogo com todos os movimentos e forças que intervêm na cidade.

 

E Rui Moreira tem essa capacidade de diálogo e de fazer pontes?

Os últimos acontecimentos e a forma como decorreu esta rutura como PS revelam um certo fechamento no movimento de Ruí Moreira. Há menos Porto no movimento de Rui Moreira. E uma parte do Porto já não se pode rever num movimento que quer excluir essa parte da cidade. O PS está aberto à participação de todos.