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INSTITUTO ALEMÃO CRITICA FRACASSO DAS POLÍTICAS DE AUSTERIDADE DE PSD/CDS

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Instituto alemão critica fracasso das políticas de austeridade de PSD/CDS

As medidas de austeridade protagonizadas pelo Governo de PSD/CDS amplificaram a crise em Portugal, revela um estudo publicado esta quarta-feira, 22 de fevereiro, pelo instituto alemão DIW.

Descrevendo a política de austeridade aplicada entre 2010 e 2014 como “contraproducente”, o instituto de investigação económica alemão afirma que as medidas de consolidação orçamental adotadas nesse período, por vezes “drásticas”, foram mal sucedidas e arrastaram o país para a recessão, em vez de terem reduzido a dívida soberana. “Os cortes dramáticos na despesa e os aumentos de impostos impediram que as reformas produzissem plenos efeitos”, revelam os autores.

Segundo o estudo, a enorme dívida das famílias foi decisiva para o impacto negativo das políticas no crescimento, já que “as famílias tiveram de usar uma grande parte do seu rendimento disponível para pagar a enorme dívida”, ficando “com menos dinheiro disponível para consumo”. Para além disso, “o governo aumentou impostos e cortou despesa, o que só amplificou o efeito. A quebra no consumo privado reduziu o PIB e o desemprego, que já estava elevado, aumentou de novo”.

As conclusões baseiam-se num estudo que analisa 12 países da OCDE entre 1980 e 2014 e “os resultados indicam que uma redução na despesa ou aumento de impostos leva a uma quebra muito maior do PIB se a dívida das famílias está acima da média de longo prazo”.

Os investigadores concluíram ainda que as recessões levam a uma redução permanente na produtividade que atenua o potencial de crescimento, efeito que é essencialmente explicado pela “perda de conhecimentos [“know-how”] da força de trabalho durante longas fases de desemprego.